quinta-feira, 27 de maio de 2021

Fim do Mundo

 

          O Thio Therezo se exaltava ao contar suas peripécias ao redor do mundo, sempre provocado pela ironia descrente e crescente de meu pai. Minha mãe, sua irmã, o defendia sempre. Deixa ele contar, meu bem, ela falava para o meu pai em sua inglória tentativa de pacificação familiar.

          No almoço daquele domingo, ele se exaltou.

          Me respeitem... eu já fui ao fim do mundo... e voltei! Me respeitem!

          Ante ao silêncio constrangedor que se criou e à risadinha sarcástica de meu pai, eu, com meus nove anos completos, resolvi perguntar.

          E como é?

          Hã... o quê? Como é o que? a pergunta desconcertou meu tio.

          O fim do mundo... como ele é?

          Ah! Como ele é? Parece mais um campo de golfe... É! O fim do mundo é um imenso campo de golfe... ele respondeu com seu olhar distante e nostálgico.

          E comemos, em silêncio e satisfeitos cada um com seu próprio pensamento, a sobremesa que minha mãe tinha preparado.

 

São Paulo, 14.11.8

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