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quinta-feira, 8 de julho de 2021

Novos Tempos

          Foram 322 quintas-feiras desde o dia em que inaugurei esse blog. Naquele longínquo 14 de maio de 2k15 não sabia muito bem por quanto tempo iria conseguir me manter fiel a publicar algo por aqui toda quinta-feira, achava que um par de anos e me cansaria desse compromisso. O ponto é que nesses mais de seis anos, ainda não me cansei e a cada semana publiquei algum conto ou crônica ou poesia ou mesmo algumas imagens. A maior parte desse material era inédita, mas muitos escritos que já tinham aparecido em livros ou antologias também foram publicados por aqui.

          Foram semanas e semanas e mais semanas, algumas preguiçosas, outras bem energéticas, algumas em que não sabia o que publicar até os últimos instantes, outras em que ideias fluíram naturalmente. Mas, acho, sobrevivi a todas as intempéries e pude assim divulgar um pouco de meu trabalho.

          Agora é hora de seguir rumo a novos projetos, encarar novos desafios literários, deixar um pouco de lado esse compromisso não escrito de toda semana e deixar fluir novas ideias. O isolamento da pandemia tem me possibilitado uma reflexão que não conseguiria de outra forma. É estranho: por um lado, não vejo a hora de retomar ao velho normal, mas, por outro, esse descanso dele me propiciou um momento único em que foi possível essa reflexão e busca por outros caminhos. Foi assim, e melhor não pensar em perdas e ganhos nesse momento, tudo virá a seu tempo.

          Novos projetos e, para tal, é preciso deixar os velhos de lado por tempo que for, mais duro que seja. Deixarei de publicar por aqui a partir da próxima quinta-feira, sabendo que esse espaço cumpriu o seu objetivo e sabendo que, por aqui, criei novas amizades assim como fortaleci muitas outras.

          Queria agradecer a todos os amigos que me acompanharam por aqui, nas variáveis frequências que o cotidiano nos impõe. E espero que continuem a me acompanhar nos meus novos projetos literários.

          Também, não poderia de agradecer especialmente ao Thio Therezo que esteve o tempo todo me incentivando, corrigindo minhas rotas e me relembrando o tempo todo o quão duro tem sido esses novos tempos.

          Um grande obrigado e até breve a todos.



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

"sou trezentos"

 

Esta quinta é a tricentésima desde que comecei a publicar meu blog. Semanalmente, acumulando uma a uma, cheguei a esta marca que superou todas as minhas expectativas. Por isso, não dá para não pensar no poema do Mário de Andrade, nem dá para esquecer que, lá no já longínquo 2005 e muito antes de sequer pensar no blog, eu cometi o disparate de pintar o quadro que aparece abaixo por conta da andradiana frase "sou trezentos, sou trezentos e cinquenta". Somos muitos, todos nós, cada um a seu jeito, ou jeitos (ou geitos, para quem assim o preferir). 





EU SOU TREZENTOS...

(7-VI-1929)

Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta,

As sensações renascem de si mesmas sem repouso,

Ôh espelhos, ôh! Pireneus! ôh caiçaras!

si um deus morrer, irei no Piauí buscar outro!

Abraço no meu leito as milhores palavras,

E os suspiros que dou são violinos alheios;

Eu piso a terra como quem descobre a furto

Nas esquinas, nos taxis, nas camarinhas seus próprios beijos!

Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta,

mas um dia afinal eu toparei comigo...

Tenhamos paciência, andorinhas curtas,

Só o esquecimento é que condensa,

E então minha alma servirá de abrigo.


[Mário de Andrade. Poesias Completas. São Paulo: Martins Editora, 1955. p. 221.]




quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Celular a seu dono

 


          Como e o que me lembro no dia a dia são mistérios que nunca consegui decifrar totalmente. Por vezes, pequenas coisas sem importância me atropelam a mente enquanto que muito do que gostaria de relembrar permanece escondido de forma inacessível. Mais de uma vez, por exemplo, antes de retornar a um lugar que sei que já tinha visitado, nada me vem à mente, mas bastou chegar lá e, de repente, surgem detalhes que nem imaginava existirem. Ah, se eu virar aquela esquina, tem uma loja de sapatos; ah, atrás daquela igreja vamos ver um parque com bancos verdes; ah, o sorvete daquela confeitaria é excelente. Mas esqueço rapidamente muito do essencial, livros que li e que não me recordo de nada (quando muito, que gostei ou não), filmes que parecem ser vistos pela primeira vez (mesmo consciente de que minha memória é muito visual), histórias ouvidas, conversas.

Tenho mínimo controle sobre este processo mental, o que fazer a não ser resignar-me?

Ontem fui atropelado por uma lembrança e tento entender o porquê. Talvez nem haja uma razão, talvez tenha sido apenas um mero sinal do cansaço mental destes dias turbulentos e que leva a mente a descarregar memórias como se quisesse se livrar delas. Mas, ao contrário, tive que conviver com a lembrança o dia todo.

Por questões profissionais, na última década fui inúmeras vezes ao Canadá, Quebec por melhor dizer, Sherbrooke, cidade a duas horas de ônibus de Montreal, para ser mais específico. Nas últimas vezes que fui, eu me hospedei em um monastério bem ao lado do campus universitário, este um pouco afastado do centro da cidade. Uma pequena rodovia separa, de um lado o campus principal e de outro um campo de prática de futebol americano também da universidade e que ladeia o monastério. Finzinho da tarde eu saia da faculdade, andava até aquele final do campus, atravessava a rodovia em frente ao campo de futebol e seguia por ela, meio que no mato pois não havia calçada naquele trecho, até chegar ao monastério. E se já estivesse escuro, escuro estaria. Nada demais, apesar do pequeno desconforto pela falta de calçada. Por vezes, até parava um pouco para ver o treino da equipe de futebol da universidade. Nada que merecesse maior atenção pelo que fosse, apenas relaxamento depois de um intenso dia de trabalho.

          Um dia, escuro estava, percebi uma luz vindo do chão a um par de metros de onde eu caminhava nesse meu caminho ao longo da rodovia. Aproximei-me e encontrei um celular, um iPhone, visor quebrado mas com a luz acesa. Olhei ao redor e nada, não parecia que alguém tivesse acabado de perdê-lo. Não tive dúvidas, peguei o celular e tentei achar algum contato nele, acabei localizando uma mensagem recente de alguém e escrevi como resposta que tinha achado aquele celular e queria devolver. Segui com o aparelho em direção ao monastério mas, antes de lá chegar, recebi nele uma ligação do suposto dono. Disse onde tinha encontrado o celular e marcamos de nos encontrar na porta do monastério. Nem demorou muito para chegarem. Na caminhoneta, duas pessoas, aparentemente o dono e algum amigo. Mas não desceram do carro, eu entreguei o celular e ele começou a manusear o celular sem sequer agradecer. Conversaram entre si e me ignoraram totalmente. Como já tinha feito o que tinha em mente que era devolver, despedi-me e, de novo ignorado, entrei no monastério. Ainda olhei antes de fechar a porta e lá estavam eles ainda conversando.

          Extraordinário? Não. Mas me fez pensar, depois de um par de anos, naquilo que ocorreu. Foi tudo tão instintivo de minha parte, mas teria eu agido do mesmo jeito se fosse no Brasil?

Sem querer entrar em uma infrutífera discussão sociológica, acho que eu teria ignorado, por aqui, o celular e o deixaria por lá, seguiria em frente sem remorsos, pois como eu explicaria a posse dele? Aqui somos todos culpados, não há como fugir disso, qualquer insinuação ou suspeita contra você significa condenação e provavelmente se eu marcasse um encontro para devolver o aparelho, o seu dono viria acompanhado da polícia/promotor/juiz/carcereiro ou, pior, da milícia (que é o mais provável nestes tempos pós-golpe). Eu seguramente teria problemas em me explicar, não teria credibilidade eu dizer que tinha achado a aparelho jogado ao chão. Somos todos culpados, é a regra geral. Aqui, acho, eu simplesmente ignoraria o celular e iria embora, não por não querer devolvê-lo a seu dono de direito mas por medo. Tenho medo, sim, do Brasil que estão construindo ao nosso redor.

          Mas, lá, não tive estas dúvidas. Por outro lado, senti um gosto amargo na boca depois do desfecho, nem um agradecimento recebi, e nem esperava mais do que isso, mas isso sim esperava. Talvez minha ingenuidade tenha me levado a crer que, pela aparente segurança que sempre senti por lá (apesar do stress e cara feia dos que cuidam da entrada no país), achava que não estaria sendo também julgado. A impressão que ficou foi que, também lá e de seu jeito, eu tinha sido julgado. Tudo correu bem, é certo, e, acredito, ao me encontrarem, os dois amigos perceberam que eu era um mero estrangeiro com sotaque carregado que encontrara o celular, que não teria tido nada a ver com o seu sumiço e que só queria realmente devolvê-lo. Mas a total falta de empatia naquele momento me fez tirar conclusões que, por falta de comprovações, guardo para mim. Esse o motivo do gosto amargo na boca naquele momento e que retornou junto às lembranças de ontem.

          As coisas não se repetem, por isso não preciso refletir muito se agiria igual em situação similar ou não. Tiramos nossas conclusões, aprendemos algo, e seguimos em frente.

          Mas que é estranho ser incomodado com algumas lembranças que não deveriam importar, isto é lá verdade. Escrevo para me livrar delas e tomara que dê certo desta vez.




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quinta-feira, 26 de novembro de 2020

A tia e a Erundina

           Por que a própria experiência de vida por vezes perde para o preconceito? Por que, por vezes, a voz do outro se sobrepõe à sua própria?

          Lembro de uma conversa que repetidas vezes tive com uma tia minha, já falecida infelizmente. Ela participava, via a igreja que frequentava e de forma bastante atuante, do gerenciamento de uma creche voltada às mães trabalhadoras de uma comunidade. Trabalho voluntário e gratuito a quem necessitava utilizar tal serviço. Naturalmente, essa creche vivia sempre necessitada de auxílio externo, principalmente financeiro.

          - Sabe qual foi o prefeito que mais nos auxiliou? – ela me perguntou várias vezes mas, sem esperar resposta, continuava – foi uma prefeita, foi a Erundina.

          Dito, ela contava detalhes, explicava que a ajuda era financeira, mas não só, era de apoio logístico, de treinamento. E seus olhos brilhavam de saudades de um tempo em que ela viveu e sentiu na pele um apoio institucional que nem antes, nem depois, a creche teve.

          Estas conversas, as tínhamos normalmente às vésperas de eleições e eu então perguntava a ela se seu voto iria para a Erundina.

          - Não, não, ela é de esquerda... é do PT...

          Talvez, em algumas das vezes, tivéssemos tido essa conversa depois da Erundina já ter saído do PT, não importa, importa é que o medo prevalecia, o medo tão cuidadosamente cultivado na classe média contra a tal esquerda, o medo que se sobrepõe a tudo, até mesmo ao reconhecimento à própria experiência pessoal.

          Nunca a ouvi fazer críticas à atuação da Erundina como prefeita, quando falava eram só elogios. A crítica era que Erundina era de esquerda, mas se tentássemos entender a profundidade disso, nada vinha.

          Minha tia morreu muito antes do golpe de 2016, não passou pela intensificação dos ataques à esquerda, na massificação das ideias torpes que levaram 57 milhões a votarem a favor do ódio e contra a solidariedade. Ela já morreu e eu nunca consegui convencê-la a confiar mais na sua própria experiência, a ouvir mais a sua própria voz e menos o que diziam os editoriais do Estadão ou a fala mansa e repetitiva, mas também hipócrita, dos apresentadores dos jornais noturnos.

          Pena.

          Não deu tempo para eu convencê-la de que a esperança Erundina merecia voltar. E voltou, sim. Agora com Boulos.




quinta-feira, 16 de julho de 2020

Máquina de moer

         Se há algo que sobra nesses tempos de quarentena são as lembranças. Não importa o quanto de trabalho ou de preocupações que se tenha nesses malucos dias atuais, nossa mente sempre acha um escape para lembrarmos de coisas que nos marcaram no passado. No meu caso, uma parte significativa dessas memórias tem a ver com lembranças culinárias, de receitas que minha mãe fazia, memórias olfativas, paladares e visuais.

Ingenuamente, eu agora tento repetir aquelas tantas receitas que se grudaram em minha mente. Descubro que, por mais que me dedique, elas nada mais serão que meras tentativas, visto que nunca irei conseguir reproduzir totalmente seus sabores e os seus cheiros, e tampouco aquele carinho que mamãe sempre teve ao fazê-las. E isso, faz toda a diferença.

          Mas eu me esforço!

          Outro dia eu me lembrei de uma máquina de moer que mamãe usava tanto para fazer uma rústica paçoca de carne quanto para uma deliciosa rapadurinha de amendoim, duas receitas que não negavam a sua origem do interior paulista. Ela tinha nascido em Itu e vivera em uma fazenda quando criança.

          É claro que essas lembranças me atazanaram a mente até que eu me rendesse à vontade de fazê-las. Vamos lá. Para a paçoca de carne, digamos que precisaremos de meio quilo de carne que pode ser colchão mole ou lagarto, cortado em tirinhas (não precisam ser muito finas pois elas vão depois ao moedor de carne). Aí você frita essa carne em um pouco de óleo com uma cebola cortada em tiras (novamente, não precisam ser pedaços muito pequenos), salsinha, cebolinha, sal e pimenta a gosto. Minha mãe usava esses temperos, cozinha rústica é assim, mas acho que dá pra gourmetizar um pouquinho, se quiser, colocando outras ervas ou fritar em azeite ao invés de óleo.

Não me lembro de minha mãe colocar bacon nessa mistura, mas uma de minhas tias faz dessa forma. A gosto do cliente. Uma vez frita a carne, misture-a com flocos de farinha de trigo e aqui é que são elas, vai meio no olho, o suficiente para que a mistura resultante não seja só carne mas também não pode ser só a farinha. O famoso um bom bocado de flocos de farinha de milho. Precisão aqui é tudo... rsrsrs. Se precisar, coloque mais óleo na panela e deixe fritar tudo um pouco mais antes de passarmos à última etapa.

          Com essa mistura já frita e já um pouco esfriada, passe inicialmente a carne com cebola em um moedor de carne manual. Claro que os modernos podem usar um processador/moedor elétrico, mas qual a graça? O melhor é aquele manual (e de ferro, não o de alumínio) que a gente encaixa no granito da pia e move a manivela, coisa de fazenda. Na primeira moída vai só a carne com a cebola. Se quiser mais moído, pode passar tudo isso uma segunda ou mesmo uma terceira vez. Em uma última passada pela máquina, coloque a carne já moída junto com tudo o que ainda sobrou na panela, incluída aí a farinha de milho frita. Pronto, a paçoca está pronta!

Não esquente (nem a cabeça, nem a mistura), coma-a morna com arroz e feijão ou com uma couvezinha picada e refogada na manteiga ou mesmo com uma banana. Comida de Bandeirantes, como se dizia lá em casa. Eu particularmente comia a paçoca solo, sem acompanhamento.

          E, depois de lavar a máquina de moer carne, pode usá-la para fazer uma outra receita, essa doce. Mas quem tem diabetes ou tendência de engordar está aconselhado a parar a leitura por aqui.

          Vamos lá. Ponha um litro de leite (o integral é melhor, ou tipo A para os antigos, o ideal) para ferver e assim que a espuma começar a subir, abaixe o fogo e junte um quilo de açúcar (eu avisei... é um doce para os formigões...). Deixe cozinhar bem até ser possível se ver o fundo da panela depois de uma passada rápida de colher. Esse ponto você vai aperfeiçoando com o tempo, no caso, claro, de você ter coragem de encarar outras vezes essa maravilha da culinária extremamente doce.

Nesse momento, você já terá um pacote de meio quilo de amendoim torrado no forno e passado um par de vezes pela máquina de moer (a mesma que você usou para a paçoca de carne, mas depois de lavada). Pode moer o amendoim com casca e tudo que isso irá dar uma coloração mais rústica ao doce, mas se tiver paciência de descascá-lo, não serei eu a impedir. Junte esse amendoim moído ao leite açucarado, deixe cozinhar mais um pouco e, ainda quente, espalhe sobre um mármore untado com manteiga. Deixe esfriar e corte em pequenos losangos. Era a minha sobremesa predileta quando criança e mamãe sabia disso. Há a variação sem amendoim (puro açúcar!) e a com chocolate que eu nem gostava tanto assim.

          Esse, definitivamente, não é um doce para amadores, é para os profissionais...

          Quando a quarentena começou, tive a estúpida pretensão de tentar não engordar e não é que estou conseguindo me manter no meu peso meio gordinho? Sei que isso poderá não durar muito pois, semana que vem, rapadurinha de amendoim a caminho... Relembrar é o que nos sobra nesses tempos bicudos.       


quinta-feira, 9 de julho de 2020

de repente, 60


           de repente, nasci

dia dos bombeiros

signo de câncer (que é o pior dos signos de acordo com uma sobrinha), mas com ascendente em libra (o que ameniza um pouco)

          de repente, aprendi a andar

          a falar (pouco, sei, é a timidez), você tem o direito de ficar calado

          a correr

          a sonhar (é a inquietude)

          de repente, a pinguela sob o córrego dos sapateiros

          o costa manso, o prof. athos.

          a casa azul, o tri no méxico

          o piano, naquela casa após o biriba, o cão preto e velho que me atormentava

          a gangue da bicicleta, o passe na forma de uma carta de baralho

          a ditadura não percebida mas presente, cruel

          de repente, a timidez na escola

de repente, tudo o que falar será usado contra você

          de repente, a thaís, sonhei

ela não

mais piano

          o xadrez, ganhei umas, outras perdi

          de repente, tudo muda

          de repente, outro mundo

          de repente, cursinho, vestibular, poli, ime, o piano deixado para trás

          de repente, paraguai e argentina, quinze dias sem dormir em uma cama, trens de carga, estações, bancos duros, o sorvete de chocolate branco e cereja de bahia blanca, a loucura de uma viagem insana

          de repente, o coral do lasar segall, o tenor tímido

          de repente, a percepção política se aguçando

          de repente, o laboratório fotográfico improvisado

          de repente, o papa por uma porta eu por outra, saindo

          de repente, outra viagem, em direção a machu picchu, futuros amigos de campinas no trem para corumbá, trem da morte, a brincadeira da moedinha na espera, tengo tantos hermanos, mais timidez, outros amigos, o foto no lambe-lambe, os quartos coletivos, a cidade de copacabana ao largo do lago, bolívia, santa cruz de la sierra, saída rápida, outro golpe militar, mais trens, amigos para trás, cusco, machu picchu, cusco, a festa do sol, volta pelo chile, bolívia interditada, invento um caís, arica, mais timidez, santiago, rádio colo-colo, os dias da espera, pai, me manda uma passagem?

          de repente, mais coral, campos do jordão e embú

de repente, diretas já e a frustração do primeiro acordão político, da primeira enganação

de repente, mais ime, mais timidez, mais frustrações

          de repente, bacharel, mestre, professor, mais ime

          de repente, a primeira morada, a sala sem móveis, mas a mesa e a estante de livros sempre, sempre

          cortázar, scorza e marquez

          mais timidez, a vizinha, a namorada que infelizmente magoei, o tempo na janela

de repente, nini e o postal, primeiros escritos

de repente, liverpool,

de repente, o pão que o inglês amassou...

brincadeira, tempos incríveis

quatro anos e alguns amigos

alguns amores

alguns escritos

os clássicos brasileiros na biblioteca universitária

de repente, a irlanda, e varsóvia, e bielefeld, e londres, londres, londres, e manchester, e edimburgo, e espanha, e portugal, e frança, e alemanha, e holanda, quando será a sua próxima viagem?, meu orientador perguntou-me um dia, e zurique e bélgica e tantos mais

quatro longos anos a preencherem lentamente minhas memórias

de repente, muitas saudades disso tudo

de repente, esperança erundina

de repente, volto

de repente, primeira esposa e primeiro livro

de repente, primeiro prêmio e primeiro livro

de repente, viagens e outras mais

muitas viagens

de repente, sherbrooke, quantas vezes fui?

e tóquio, e méxico, e ottawa, e bielefeld, e munique, e murcia, e méxico, e trondheim, e munique, e marselha, e floresta negra, e mar del plata, e méxico, e puebla, e oslo, e marselha, e floresta negra, e munique, e toronto, e geiranger, e paris, e trieste, e montreal, e montevidéu, e lisboa, e marselha, e floresta negra, e munique, e guanajuato, e porto, e coimbra, e diamantina, e montevidéu, e munique, e bahia blanca novamente, e curitiba, e mendoza, e córdoba, e pequim, e chemnitz, e torun, e colônia, e lyon, e madrid, e budapeste, e miskolci, e cartagena, e marselha, e campinas, e brasília, e fortaleza, e natal, e manaus, e porto alegre, e rio grande, e florianópolis, e maringá, e belo horizonte, e rio claro, e rio, claro

não necessariamente nessa ordem

e outros mais, memória sempre falha

de repente, idas e vindas à procura de algo que custava achar

muito tempo assim, timidez e frustrações

de repente, mais frustrações

mas, de repente, simetria

de repente, outros livros publicados

outros sorrisos, outras lágrimas

de repente, muitos alunos, tentei não atrapalhar

de repente, celebrei seus sucessos

de repente, vice, chefe, vice, diretor

de repente, a oposição sistemática

tanto aprendi

algo fiz, acho

algo aprendi, certeza

de repente, sou professor

de repente, onde foram parar tantos anos?

de repente, onde foram parar tantos sonhos?

de repente, onde estão os amigos?

de repente, onde estão todos?

a família, presente

mãe e pai, saudades

os amigos fiéis, presente

          de repente, o que resta além das memórias?

          de tantas fotos tiradas

          o que resta dessas viagens todas?

          o calor do abraço, o beijo da despedida

          a névoa, a névoa

          de repente, mais ime, excesso de ime

          de repente, o livro branco e muito depois o amarelo, passando pelo azul

para onde foram todos aqueles artigos?

          e os relatórios que ninguém lê?

          e os fins de semana, as noites curtas

          noites que excitam, noites que assustam

          mas, de repente, também mais livros, mais contos e mais sorrisos

          de repente, outros amigos, outras lembranças, memória renovada

de repente, já superei o jovem há mais tempo, o cidadão do mundo e, por fim, a idade em que sabia de tudo

de repente, agora, só vivendo e aprendendo

de repente, amores e frustrações acumulados

          de repente, a pessoa certa

          o amor certo

          que segue e seguirá

de repente, leitores fiéis aparecem

de repente, o blog, o primeiro romance publicado

de repente, uma coleção de quintasfeiras

          de repente, a redescoberta de lisboa

          de repente, óbidos e a fólio

          de repente, vem pra rua

          de repente, fique em casa

          e no intermédio, golpe(s)

          tragédia anunciada, tragédia realizada

de repente, novos livros, novos amigos

          de repente, as dores da idade, as cores da cidade

          ou vice-versa

          de repente, a quarentena me atropelou em uma fase tranquila, coração acalmado, mente quieta

          de repente, a quarentena ao lado dela, da pessoa certa

          aprendendo a cozinhar

          de repente, na espera de comprar um piano, mas isso é segredo

          de repente, escrevendo como nunca, lendo como sempre quis

de repente, 60 na quarentena

de repente, talvez ainda haja tempo



quinta-feira, 5 de março de 2020

Hoje você é quem manda, tesourinha!

Símbolos. Sim, sou meio lerdo para certas coisas e confesso que só agora entendi o sinal que fazia na campanha aquele candidato a governador de São Paulo (e que, merda, foi eleito!). Aquele V deitado nada mais era que uma tesourinha. Aliás, foi a eleição da arminha e da tesourinha, tão iguais em suas pretensas diferenças.

Lição de democracia. Nessa semana, a mando do tesourinha e com o aval Supremo, a ALESP deu uma lição de como se agir democraticamente em uma discussão polêmica. Desânimo, tempos cada vez mais sombrios, só me resta pedir ajuda ao Chico e cantar a música que, infelizmente, voltou a ser tão atual...


Apesar de você
Chico Buarque

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Resenha: "A tessitura da escrita em ´Outros tantos`"


A escritora e crítica literária Alexandra Vieira de Almeida escreveu a resenha abaixo sobre o meu livro "outros tantos". Quem se interessar pode encontrá-lo no site da Editora Penalux (clique aqui) ou na Livraria da Vila.
Há também a possibilidade de se conseguir o livro diretamente comigo. Nesse caso, além do autógrafo, eu envio junto com um brinde: um de meus livros anteriores, dentre "Gambiarra e outros paliativos emocionais" (contos, 2007), "Contos&Vinténs" (contos, 2012) ou "Pigarreios" (romance, 2016), à escolha. Basta me contactar por e-mail: flavioucoelho@gmail.com 

A tessitura da escrita em ´Outros tantos`, de Flávio Ulhoa Coelho


Flávio Ulhoa Coelho reúne 32 contos no seu novo livro Outros tantos (Penalux, 2019), retomando as seis proposições de Italo Calvino no seu livro Seis propostas para o próximo milênio, que não chegou a completar com a sexta parte inconclusa. Os títulos das partes do livro de Ulhoa são os mesmos que compõem as propostas de Calvino. São elas: Leveza, Rapidez, Exatidão, Visibilidade, Multiplicidade e Consistência. Mas o escritor aqui em questão, professor de Matemática, adequa tais temas imprescindíveis à excelente literatura a ser produzida a partir do viés original do tempo. 

Logo no primeiro conto, “Olhares flutuantes”, temos o fator ritmo e sonoridade como alicerces para a construção do tempo na medida certa. Tempo de encontros e desencontros nos olhares do ser universal, pois Ulhoa não se prende a regionalismos e particularidades, mas ao tema oniabarcante do que constrói os apelos do mundo em toda sua liquidez e fragilidade. Ele escreve: “Futurando o presente, os olhares se fixarão por uma efêmera eternidade”. Eis a intensidade deste paradoxo, que une a transitoriedade ao atemporal. Que magnífica a força dos opostos e contrastes aqui, revelando o mundo como algo que engloba o poder ambíguo do tempo, que ora corre com rapidez e efemeridade, ora aponta para um processo de sublimidade que se encontra no perene jogo do que ultrapassa o real em toda sua fragmentação. Esses olhares que se encontram “flutuando” e “futurando” buscam uma ambivalência no tempo cronológico e psicológico, já que seu livro de contos dá a medida que encerra a potência sobre o visível, a carne prosaica, à invisibilidade de um lirismo abismal.

No conto “Bonde 53”, temos o valor da amizade sendo exaltado, apesar das divergências. Utilizando verbos no futuro, o narrador, magicamente, vai construindo hipóteses, um futuro que aponta para o passado e para o presente, reunindo-os. Assim, ele vai cerzindo esses tempos com um olhar futurístico, que nos direciona para o abismo do desconhecido e oculto aos olhos simplórios. Sua escrita tem a profundidade cortante que une a leveza do ritmo poético às reflexões críticas e sociais indomesticáveis. Como um tropel de cavalos, sua escrita se adensa nos véus das palavras, cristalinas, mas que escondem sombras no seu interior, a partir de imagens ricas e precisas, revelando sua exatidão matemática e o que vai além dela, pois que não pode ser medida. O poeta do futuro, aqui, utiliza o ritmo e a repetição poética, dando poeticidade à sua narrativa, aliando a poesia e a prosa, como os grandiosos escritores universais Clarice Lispector e Guimarães Rosa. O lirismo contido nas asas de suas páginas nos dá o valor inusitado em meio à claridade prosaica: “...os olhares que se perderam nas nuvens dos dias”.

Em “Negro y blanco”, temos os diálogos como base principal do conto, com seus discursos diretos sendo reconfigurados pelo poder da linguagem. O narrador mistura as línguas espanhola e portuguesa de forma magistral, dialogando com o titubeio do narrador que não domina de todo a língua da Espanha. Num mosaico de línguas, o narrador tece uma rede de palavras, mesclando frases em português e espanhol, dando inventividade e jogo linguístico, que faz de seu conto algo que atinge o cosmopolitismo tão caro aos valores que ultrapassam a cor local. Aqui, temos a totalidade do instante na memória. Um processo de experimentação do texto ocorre de forma exemplar, e a dupla chama da linguagem acende o sol vasto da literatura.

Em “Mãos dadas no parque”, Ulhoa tenta conter as certezas num mundo de incertezas, através de afirmações. Questionando no início do conto se o que veio primeiro foi a carta ou o telefonema da amiga do passado do narrador, ele pretende conter a memória do tempo numa solidez afirmativa da linguagem, clara, objetiva e precisa. Nesse processo de exatidão, temos a contenção da língua, fazendo surgir o dique que poderá conter a imprecisão e inexatidão do transbordante esquecimento. Temos assim, um jogo matemático que, ao mesmo tempo, ultrapassa a lógica a partir do que é imaginativo. A força do imaginário e da fabulação em Ulhoa é incrível, dando um tom forte à sua escrita excepcional e criativa. Com a imprecisão da vida, não podemos encaixar tudo numa caixinha sistêmica, o autor sugere. Como dizia Fernando Pessoa, retomando os navegantes: “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Nesse conto se dá a lembrança intensa em meio ao esquecimento da memória falha, que tem suas margens de erro.

Italo Calvino escreveu em seu livro por ora aqui apresentado anteriormente: “Minhas reflexões sempre me levaram a considerar a literatura como universal, sem distinções de língua e caráter nacional, e a considerar o passado em função do futuro; assim farei também nessas aulas”. Aqui, numa figuração espaço-temporal, temos a construção do texto através de um jogo que não segue convenções linguísticas e temporais, ao mesclar os tempos numa abertura para o novo e original. No conto “Olhares futurantes”, Ulhoa retoma o conto inicial com nova roupagem, dando-lhe um novo final, reconstruindo e reconfigurando o mesmo a partir da diferença. Assim, é pela repetição e também pela diferença, que Ulhoa constrói o seu livro, pleno de espelhamentos no labirinto inusitado da poesia que pela musicalidade nos direciona para as águas mágicas dos sentidos narcísicos, com o reflexo e reflexões, como na dobra em espiral e não em círculo, num eterno retorno da diferença imagética. Em meio aos refrãos narrativos, Ulhoa consegue a difícil proeza de reunir num mesmo respiro o caos e a ordem, o transbordamento e a contenção. Num caminho sinuoso e íngreme, encontramos suas narrativas como jogos de linguagem bem precisos em seu corte afiado e afinado.

No conto magistral, “Caneta com tinta preta”, temos a exatidão da linguagem com o inusitado das imagens. A precisão do detalhe, “meu único irmão”, se casa com o lirismo da força imaginária, que denota uma rasura em meio à matematização da escrita. Ulhoa rompe o círculo perfeito pela poesia. Em “a velha caneta tinteiro do pai”, encontramos uma metáfora para a escrita. O interesse por esse objeto faz da linguagem o tiro certeiro do literário, cuja morada se encontra nas palavras abissais que se adensam na tinta preta. Temos, assim, as imagens do afeto, do elo familiar e literário. 

No conto “O carregador de dedos”, podemos perceber a exatidão do tempo a controlar o trabalho dos funcionários. Aqui, temos a crítica social do chefe da empresa que reclama dos impostos e da corrupção. No meio da sociedade, temos o controle, tentando domar o tempo. A exatidão do controle, por outro lado, borra tudo, pois através de um fato não previsto o controle se desmancha no ar. Um fator inusitado desnorteia a exatidão do controle, nocauteando-a. Em “A árvore darwiniana”, assim como em outros contos, com a forma semelhante, temos o trabalho de experimentação com a linguagem, pois a narrativa, escrita com frases descontínuas, dão o valor poético ao texto. Os diálogos são entrecortados, a partir da união entre forma e conteúdo.

No conto “Natal vermelho”, encontramos um labirinto de espelhos a partir dos desdobramentos da cor vermelha e seus significados que explodem para todos os lados das entradas e saídas. Aqui, vemos o contraste entre a data festiva, que significa nascimento, com a morte, em que temos o trágico em meio à beleza e ostentação do núcleo festivo. Um excesso da cor se traduz num simbolismo perfeito. As imagens da repetição do vermelho se conjugam com o ritmo poético. 
Estes elementos são retomados em “Conto de Natal”, onde a repetição e a rotina são enaltecidas e desviadas pela memória do passado, o tempo em máxima efusão das horas. Temos a mesma história, tudo se repete na fase natalina, pois é a fase de rememoração do personagem. A rotina fere o escudo da liberdade, trazendo o aprisionamento e contenção do que transborda naturalmente. A festa natalina é o leitmotiv para a viagem memorialística da personagem. Ao fugir da rotina presente, ele se depara com o passado com suas diferenças e encantos: “Parecem dias tão distantes que mal as sinto no meu cotidiano atual”. Ele evoca esse “período rubro” como “melancolia vermelha”, que devassa o tempo, cortando-lhe os pulsos. E essas lembranças não cortariam o momento repetitivo da festividade? O passado não quebraria a rotina do momento presente, revelando o frescor da origem? Certas coisas do passado causam-lhe incômodos. A imagem do cemitério e dos túmulos são fantasmas, a falta de pessoas que já partiram. O lirismo do conto é encantador: “Definitivamente, o Natal é vermelho, em meus olhos de todos os dezembros”.

No conto social “Rua”, relembrando nosso período de sombra que ainda nos assola, a ditadura militar, temos a morte covarde da personagem amada do narrador-personagem. Num jogo de simetria e dessimetria, a rua vai ganhando contornos simbólicos e metafóricos ao longo desse conto admirável por sua beleza em meio o caos social e político. Ele diz: “...tanta gente desaparecida naqueles tempos de sombra”. Saindo do político-social e adentrando o especificamente literário, temos em “Ela, a ideia”, um verdadeiro estudo sobre o fazer poético. As ideias são personificadas e metaforizadas, ganhando um sentido alegórico. O trabalho literário é de busca, de procura das ideias, que se escondem de nós. Podemos nos lembrar aqui de um Drummond, com sua luta pelas palavras, ou um Gullar, com sua “luta corporal”, onde a ideia surge a partir de uma guerra, de um esforço descomunal. 

Igor Fagundes, grande ensaísta e poeta, professor da UFRJ, retomando Nietzsche nos fala sobre os elementos dionisíacos e apolíneos. É preciso domar as palavras para não deixar que elas transbordem no voo e no caos. Elas precisam ter sentidos, a concretude do pouso, e isso Ulhoa faz magistralmente na sua escrita. Ele é um domador do tropel dos cavalos, dando-lhes o freio necessário. O desejo de ultrapassar as medidas é contido pela matematização e ordenamento das palavras certeiras. A exatidão apolínea se conjuga, dando as mãos ao jorrar das palavras dionisíacas. Portanto, é a partir de um processo de seleção e combinação das palavras que tal esquema é possível na obra maravilhosa deste escritor que encantará o leitor com suas narrativas repletas de literariedades e realidades, unindo a tessitura literária ao nosso mundo circundante. Assim, o real e o imaginário se dão as mãos nos seus contos inventivos e imaginativos, mas que tocam o chão de nossa realidade que não foge aos ditames de sua escrita inaugural. 

SERVIÇO
“Outros tantos”, contos. Autor: Flávio Ulhoa Coelho.. Editora Penalux, 198 págs., R$ 38,00, 2019. 
Disponível em:
https://www.editorapenalux.com.br/loja/outros-tantos
E-mail: vendas@editorapenalux.com.br


Sobre a resenhista

Alexandra Vieira de Almeida é Doutora em Literatura Comparada pela UERJ. Também é poeta, contista, cronista, crítica literária e ensaísta. Publicou os primeiros livros de poemas em 2011, pela editora Multifoco: “40 poemas” e “Painel”. “Oferta” é seu terceiro livro de poemas, pela editora Scortecci. Ganhou alguns prêmios literários. Publica suas poesias em revistas, jornais e alternativos por todo o Brasil. Em 2016 publicou o livro “Dormindo no Verbo”, pela Editora Penalux.