quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

e mais dois vinténs!


Manifesto rabugento


            O que você vê agora são só os detalhes, as sombras que a luz difusa permite. O que você lê, o que permitimos que você leia, são só as sobras do pensamento codificadas em símbolos pré-determinados. O essencial, felizmente, ficou com a gente, bem-guardado. Não espere mais do que isso, caro leitor! Não permitiremos que nos decifre, audácia sua, que descubram nossos segredos, nossas faces ocultas, que leiam nossas entrelinhas, que conheçam as coxias de nossos pensamentos.
            O que você lerá será apenas o que permitimos que seja lido, o que finalmente sobrou após longas e insanas noites de revisão e desespero. E contente-se com isso!

Montreal, junho de 2008.


 


É o que dizem...


            Depois daquele longo e incômodo silêncio, ela acrescentou:
“É o que dizem por aí....”
“Dizem tantas coisas...”
            E permaneceram assim por algum tempo, mas ela não aguentou aquela situação e perguntou afinal.
“O que eu gostaria de saber é o que é verdade em tudo isso.”
“Em tudo o quê?”
“No que dizem por aí...” ela respondeu já irritada.
“Não dá para acreditar em tudo que dizem, não é? Dizem tantas coisas...”
            E continuaram a tomar o seu café da manhã.

São Paulo, julho de 2007






[[Esses vinténs apareceram inicialmente em meu livro "Contos&Vinténs" publicado pela Editora A Girafa, 2012.]]

Nenhum comentário:

Postar um comentário