quinta-feira, 13 de agosto de 2020

certezas



a porta, aberta.

ela e a menina. 

as duas, me olhando.

olhar de uma e de outra, mesmo olhar, porém.

saudades dela, não digo.

ela tampouco disse algo. 

disse nada, muda.

só o olhar, os olhares, das duas.

entraram. 

a porta, agora, fechada.

ficaram.

um dia, quero saber.

é sua, insinuou-me um dia.

outro dia, me disse, nossa. 

é nossa, garantiu.

fez sentido.

faz sentido, até parece meu sorriso. 

parece sim.

ficaram.

era minha, agora insistia, certeza tinha.

mas será que conto? 

será que estrago suas ilusões?

medroso, calo. 

mudo fico.

apesar de tudo, bom tê-la, bom tê-las por perto.

mas a menina não é minha, certeza tenho eu.

vivemos, então, par de anos.

mas nenhuma nuvem, 

nenhuma delas amorteceu a queda.

nem a dela, nem a minha.



[[Em 2019, além de ter publicado "outros tantos" pela PENALUX, também publiquei um pequeno livreto chamado "as nuvens amortecem a queda" pela Sangre Editorial dentro da coleção 32. Feita artesanalmente em Buenos Aires e com 32 folhas apenas, esse livreto é bem especial, ainda mais que contém alguns contos que me agradam muito. Estou publicando aqui o seu conteúdo: cinco contos (ou assim eu os vejo) e seis aldravias (que publicarei todas juntas ao final). O dessa semana é o segundo conto. Espero que gostem.]]



[[Outra coisa. No dia 9 de agosto último, eu fui entrevistado por Adriana Mayrinck dentro do projeto Toca a Falar Disso coordenado por ela e pelo Emanuel Lomelino (ambos da In-Finita). A entrevista agora está disponível no YouTube, basta clicar aqui.]]



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