quinta-feira, 6 de junho de 2019

Tempos de Costa, dois.


          Semana passada eu contei sobre um fato ocorrido em meus tempos de estudante no Costa Manso. Coisa puxa outra e logo memórias invadem o meu dia a dia. Não foi o primeiro momento nesses últimos anos em que isso ocorreu. E nem foi a primeira vez que escrevo a respeito daquela época. Menos ainda será a última, espero.
          Alguns anos atrás, eu escrevi “A turma do Costa e o desafio de xadrez”, uma, digamos assim, aventura juvenil e que foi publicada apenas em formato digital pela e-galáxia. Cheia de referências ao Costa e às minhas lembranças dos anos vividos por lá.
          Quem estudou no Costa naqueles anos seguramente se lembra do Prof. Athos (Prof. Porthos no livro), nosso querido diretor. Óculos fundo de garrafa, bigodinho e terno escuro, ele suava às bicas e até perdia a voz, já normalmente rouca, quando lia, nome a nome, a divisão das turmas no primeiro dia letivo. Se isso pode até parecer folclórico, certamente não define a grande figura humana que ele foi e o que representou a todos nós em termos de ética e respeito com os outros.
          Mas não, não se trata de um livro autobiográfico esse “A turma do Costa...”. Se por um lado situo essa minha estória fisicamente no Costa e descrevo as ruas do bairro e as duas casas em que vivi naqueles anos,
nenhum dos personagens que fazem parte da Turma do Costa, o Bebeto e o Marquinhos, me representa realmente, apesar de compartilhar da timidez de um e, acho, da discreta ousadia do outro.
          A Thaís, o Bebeto e o Marquinhos formam a turma do Costa. E por falar nela, a Thaís, a menina sardenta que é também da turma, foi minha paixão de criança/adolescente. É claro que ela nunca soube que eu existia. Mas, de tão platônico que foi, eu tampouco consigo falar muito de como ela era, a não ser de seu jeito meigo, cabelos ruivos e sardenta que era. Sabia-a inteligente, mas nada além disso de sua personalidade. Por isso, a personagem Thaís do livro é totalmente inventada. Como disse, só as sardas é que não.
          Sim fiz parte da torcida de Handebol do colégio; sim, nosso goleiro era bom e chamava-se Pio; e sim cantei muito o canto de guerra da escola:
Costa Manso, existe apenas um,
Igual ao Costa Manso não pode haver nenhum...
(uma das leitoras desse meu livro desconfiou desse canto, dizia que a letra não encaixava em nada que pudesse ser cantado. Mas era esse sim o canto de guerra da torcida e eu, só de birra, não o cantei para ela, que deve estar até agora na dúvida).
          E sim, defendi o Costa jogando xadrez e por conta de minha timidez nunca fui o primeiro tabuleiro do time, era o segundo, às vezes o terceiro. Sorte a minha, pois com isso jogava sempre com jogadores piores dos outros colégios e, ao contrário dos outros integrantes de nossa equipe, sempre ganhava meus jogos. Mas isso é outra estória.
           É certo que alguns professores aparecem com seus nomes reais, mas troquei o nome do colégio que rivalizava com o Costa no Itaim, nada de Aristides de Castro e sim Arquimedes Correia (sei, sei, não precisam dizer, sei que não tenho a imaginação assim tão apurada...).
Tudo isso faz parte desse jogo chamado literatura que nossa mente apronta conosco, nem tudo é inventado, nem tudo são lembranças.
          A Turma do Costa foi pensada para uma outra estória muitos anos atrás, os mesmos personagens, o mesmo entorno. Mas o tempo passou e nunca consegui terminar de escrever. Um dia, vi uma notícia sobre um campeonato de xadrez e achei que seria uma boa primeira aventura para a turma. Ao mostrar uma primeira versão a uns colegas, esses apontaram-me uma situação mal resolvida no final do livro. Reestruturada, gosto muito do resultado final, mas é claro que eu sou suspeito demais para opinar...

          Volta e meia eu retorno àquela estória inicial da Turma do Costa. Quem sabe eu não a finalizo um dia, já que estou nessa fase meio nostálgica?





Para quem quiser ler o começo do livro “A turma do Costa e o desafio de xadrez”, eu publiquei aqui nesse blog os dois primeiros capítulos (para lê-los, clique em primeiro capítulo e segundo capítulo). Quem se entusiasmar, pode conseguir o e-book na Livraria Cultura ou no Amazon quase que ao preço de um par de cafés.

Nenhum comentário:

Postar um comentário