quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

o meu 2K17 literário.

Janeiro
Lançamento do meu primeiro romance "Pigarreios" (pela Editora Chiado) em Lisboa, dia 11.





Março
Lançamento de "Pigarreios" em São Paulo, na Livraria Cultura do Villa-Lobos, dia 8.


Julho
Autografando em Paraty.



Setembro
Na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, dia 1.


Outubro
Relançamento, em versão digital, pela e-galáxia, de meu primeiro livro "Contos que Conto" com capa da Ayssa Bastos. Esse livro foi premiado, em 1991, na V Bienal Nestlé de Literatura Brasileira na categoria contos.


Novembro 
 O conto "Alen" (publicado aqui em 1/6/2K17) aparece na antologia "Do Mosto à Palavra" (publicada pelo Editora Chiado).

Dezembro
Sai o meu primeiro livro infantil, "Guarda-Trecos", publicado pela Editora Belo Dia e com as belas ilustrações da Lucilia Alencastro.



Nesse meu blog, publiquei, em 2K17, 39 contos (incluindo aí 16 estórias do Thio Therezo)  além de crônicas (7), diários de bordo (4), recreações (4) e poesias (2).

Termino meu ano revisando um conto que sairá, em 2K18, na Revista da Academia Brasileira de Letras.

A todos que me acompanham, um ótimo 2K18!!!!


quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Guarda-Trecos


"A menina levava sempre um montão de coisas em seus bolsos e bolsas. Um dia, descobriu um útil GUARDA-TRECOS e até os seus sonhos ela colocou lá, junto a tudo o que gostava de carregar. Mas havia um problema..."

GUARDA-TRECOS é o meu primeiro livro voltado ao público infantil. Com belíssimas ilustrações da Lucilia Alencastro, ele foi publicado pela Belo Dia Editora.  

Conhecer e trabalhar com a Lucilia foi muito bom, principalmente pela sintonia que conseguimos, desde o começo, o que possibilitou a tão desejada harmonia entre texto e ilustração.

Quero também deixar registrado aqui a minha satisfação de fazer parte do início da  Belo Dia, essa nova editora criada por Henrique Félix e Solange Scattolini.

Nesse primeiro momento, o livro estará disponível no site da editora (belodia.com.br) ou por meio de um contato direto comigo (flavioucoelho@gmail.com) ou com a ilustradora (contato@lucilia.art.br).





quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

AEIOU


            Semana passada, mencionei duas das frases que costumam tirar o Thio Therezo do sério. A primeira, “mas aí é diferente!”, ele superou o trauma escrevendo a respeito um longo e impressionante tratado acadêmico. Mas a segunda, essa é ainda dura de engolir:
            “Você é muito importante para nós”.
            Pode parecer implicância, rabugice, o que for, mas essa frase, dita em certos contextos, traz embutida um certo desprezo pela pessoa que ouve, um olhar superior, uma ironia fora de propósito, uma hipocrisia, significando assim exatamente o oposto do que aparenta dizer literalmente.
            Muito comum em ligações aos tais call centers, onde te deixam esperando por horas ouvindo musiquinhas e o tal de “não desligue, você é muito importante para nós... não desligue...”, o Thio teve que passar por uma outra situação em que ela foi também utilizada em um contexto longe da literalidade e que até hoje o desagrada.
            Contei aqui, semanas atrás, como o Thio, torcedor fanático do Ituano, fundou com outros pares a associação Amigos Entusiastas do Ituano, também conhecida como AEI. Se os leitores atentos ainda se recordam, essa associação foi fundada logo após o Ituano ter ganho o seu primeiro título paulista, em 2002 e, por conta de meros e insignificantes detalhes do regulamento daquele campeonato, muitos torcedores de outros times questionaram a façanha do glorioso rubro-negro de Itu.
            Fundado o AEI, logo o Thio Therezo e seus amigos sócio-fundadores foram à luta para brigar pelo inquestionável reconhecimento do título e, de certa forma, foram até bem sucedidos. Acontece que, pouco a pouco, os outros sócios foram se desanimando e sobrou só o Thio para defender a associação. Semanas se passavam em que só ele comparecia à sede, o bar na praça central da cidade, para discutir atuações ainda necessárias pelo valor do galo rubro-negro. Discussões viravam monólogos por falta de participação.
            Em 2014, porém, o Ituano ganhou o seu segundo título de campeão paulista e foi aí que houve a traição. Os antigos sócios-fundadores do AEI, aqueles que tinham se distanciado de forma inequívoca, reapareceram subitamente e, por conta de questões que não são claras até agora, resolveram isolar o Thio da associação. Talvez achassem que a fama do Thio iria ofuscar os planos que eles tinham de exploração do AEI.
            Em um par de vezes, por mera coincidência do destino, o Thio cruzou com um grupo de sócios-fundadores que, junto a outros recém e convenientemente incorporados ao AEI, estavam indo almoçar depois de uma reunião de trabalho da associação, reunião ao qual ele obviamente não tinha sido convidado.
            Logo, soube de uma mudança de regimento do AEI (da qual ele não foi sequer consultado) e que impedia a reeleição do Thio como presidente, coisa que ele ocupava desde a fundação por ninguém mais se interessar por tal cargo. Nunca quis permanecer tanto tempo como presidente, ele que tão ocupado é e que, a rigor, só aceitava permanecer como presidente unicamente com o intuito de defender o Ituano.
            Mas esse golpe pelas costas o fez se sentir por demais chateado.
            Ao se perceber preterido, o Thio, apesar da mágoa, decidiu sair do Amigos EI (assim o Thio carinhosamente chamava a associação...) e enviou uma carta ao novo presidente, renunciando ao cargo de membro do Conselho Diretor da associação, cargo no qual fora mantido nessa nova administração.
            Dia seguinte, recebe o Thio um telefonema do presidente do AEI, um dos também sócio-fundadores outrora também amigo pessoal, tentando convencê-lo de que a sua presença era essencial para a vida da associação.
            - Você é muito importante para nós – ouviu o Thio inúmeras vezes o presidente dizer. Tantas, e com tanta hipocrisia na voz, que o Thio se cansou e retrucou, talvez até de forma inconveniente. Se assim fosse, ele disse, eu não estaria sentindo a dor da facada nas costas e garantiu que iria sair de forma irrevogável da AEI. Thio Therezo ainda teve que escutar uma última resposta.
            - Thio, você é realmente muito importante para nós, não se esqueça disso... e nunca deixará de ser um dos sócio-fundadores...
            Nada mais havia a conversar.
            Mesmo ainda se sentindo inconfortável quanto à frase “você é muito importante para nós”, o Thio superou o assunto referente à associação AEI, ele seguramente tem mais o que fazer na vida. Ainda é reconhecido como o torcedor-emérito por quem de fato conta no Ituano, os jogadores e os torcedores fiéis que nunca o abandonaram. Só que, agora, ele se refere ao AEI como sendo AEIOU, ou Amigos Entusiastas do Ituano, Outrora Unidos.
            E cai na risada, gostosa risada dos que mantém seus princípios intactos.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Mas aí é diferente!


            Existem algumas expressões que, por vezes, tiram o Thio Therezo do sério. Uma dela é a tal da “mas aí é diferente...”.
            O juiz, obviamente um ladrão insensível, marca um pênalti, claramente inexistente, contra o glorioso Ituano. Conversa de bar, esse é o assunto que deixa a muitos indignados naquele final de tarde de domingo na praça central da cidade interiorana. Não todos, sempre tem um que concorda com o juiz. Mas aí você lembra de outro lance, igual, equivalente, análogo, mas contra um tal de Corinthians e que sequer passou perto de ser considerado como atitude faltosa pelo, agora já consensual, ladrão juiz.
            -... mas aí é diferente... – a expressão interrompe a conversa. Silêncio.
            Claro que é! É contra o seu time, é a favor do meu... diferença mais do que óbvia.
            O Zequinha, então, chega ao bar comemorando a prisão de um político delatado. Você, como quem não quer nada, comenta que só vai acreditar que algo realmente mudou nesse país se aquele outro político, igualmente delatado, igualmente gravado confessando crimes, igualmente desonesto também for preso.
            - ... mas aí é diferente...
            Claro que é! É o político em quem você votou, é um aliado, foi só um caixa dois inofensivo (que nem crime é...), uma venda de apartamento, a delação foi só vingança de um bandido desqualificado...
            Se quiser imparcialidade, não discuta futebol...
            O Thio estava bem acostumado a esse atual, mas aparentemente interminável, fla-flu em nossa sociedade, não era esse o problema. O problema era a expressão “mas aí é diferente...” em si. A ele, sempre pareceu que ela transbordava uma arrogância, um desprezo pela argumentação, pela possibilidade de sequer se analisar possíveis analogias entre situações, padrões que fossem.
            O direto e seco “mais aí é diferente” matava qualquer continuidade de conversa civilizada, eliminava a argumentação por contradição, a construção de analogias que poderiam propiciar um melhor entendimento das questões. E foi por conta desse incômodo que o Thio resolveu investigar as origens sócio-epistemológicas da dita cuja expressão. Buscou e investigou e se aprofundou em livros e teses e descobriu, por exemplo, que os bárbaros da Idade das Trevas, ao decapitarem seus inimigos, entoavam uma singela cantiga onde o refrão, em uma tradução livre ao latim, soava como “sed differt” (tradução excessivamente livre, diriam alguns inimigos invejosos do Thio Therezo, uma forçação de barra, mas aí, é realmente diferente, é uma questão mal resolvida entre eles).
Descobriu também que essa expressão estava por trás de muitos movimentos eugenistas e racistas. Poucos sabem que por dentro daquele ignóbil chapéu da Ku Klux Klan está bordado em rosa um dos lemas da organização: “but there it is obviously distinct”. Tal revelação pelo Thio trouxe, como efeito colateral, um renascimento nos EUA de uma mentalidade ultraconservadora que, dizem, levou, ao final o Trump à presidência. O Thio, até hoje, em suas palestras nas inúmeras universidades americanas, pede desculpas pelas graves consequências de sua descoberta e se justifica dizendo, sinceramente, que seu único interesse era o acadêmico. O Thio, sabemos todos, abomina qualquer pensamento de extrema direita.
Em todo caso, tão vasta foi a pesquisa realizada pelo Thio Therezo que caberiam aqui inúmeros outros exemplos. Como tudo, ou quase tudo, na vida do Thio termina em livro, é produto dessa pesquisa o famoso (e injustamente criticado) tratado “Analogias, manipulações e imparcialidades, a maldição por trás da expressão mas aí é diferente”.
            Um dos principais capítulos desse importante tratado diz respeito a uma situação que, ao ver do Thio, se repetiu em várias épocas e distintas situações históricas. Além do acima mencionado ritual envolvendo os povos bárbaros, deparou-se ele com um hábito da época da revolução francesa. Também lá, antes de serem decapitados, muitos inimigos do povo gritavam “mas là c’est différent...”. Ao se deparar com esse padrão, o Thio escreveu um capítulo chamado “Perdendo a cabeça” e que, depois ele percebeu, seria o centro de toda a sua argumentação naquele agora imprescindível tratado sociológico. A simbologia descoberta agora fechava o ciclo que ele tanto buscava.
            O Thio iria confessar, tempos depois, que escrever esse livro foi mais do que uma curiosidade intelectual, pois significou, para ele, uma longa sessão de terapia que o fez, ao final, olhar com mais condescendência todos aqueles que utilizam e abusam dessa expressão em prol da finalização de uma discussão.
            Se ele conseguiu, depois de uma terapia litero-acadêmica, se resolver internamente frente a essa expressão, o mesmo não aconteceu com relação à “você é muito importante para nós”. Mas isso é outra estória e que contarei semana que vem.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

amigos entusiastas do Ituano


            Comentei por aqui na semana passada o entusiasmo do Thio Therezo por conta do Ituano e como é impossível se manter imparcial quando se torce para o glorioso rubro-negro de Itu. Surgiu então alguns questionamentos sobre o AEI, a famosa associação Amigos Entusiastas do Ituano e aproveito para contar-lhes um pouco sobre isso. Sei que sou apenas uma testemunha ocular dessa estória e muito do que sei a respeito são apenas relatos que ouvi do Thio. Mas tentarei ser o mais fiel ao que ele me contou, mesmo sabendo que não possuo os necessários dons de um bom contador de estórias.
            Mas, vamos em frente.
            O AEI foi fundado em 2002, logo depois que o Ituano ganhou o seu primeiro campeonato paulista, não que antes esses mesmos amigos não estivessem sempre unidos e entusiasmados para torcer pelo galo rubro-negro. Estavam, e faziam, isso sim, sacrifícios às vezes para acompanhar o time onde ele fosse jogar. O motivo principal para se formalizar tal associação foi justamente a circunstância em que esse título se deu.
            Conto aqui.
            Por questões que não vem ao caso (ou, melhor dizendo, ao acaso), nenhum dos chamados times grandes do Estado de São Paulo participou do campeonato paulista de 2002.  Todos eles participaram de um tal de Torneio Rio-São Paulo. E, por isso, e só por isso, muitos tentaram desqualificar o bem merecido título do Ituano, como se, sem a participação desses tais grandes times, o campeonato paulista tivesse perdido a sua competitividade.
            - Ridículo... absurdo... só mesmo mentes ignóbeis poderiam pensar isso... – o Thio reagia raivoso.
            Mas tanto esses ignóbeis fizeram que até inventaram um tal de Supercampeonato Paulista de Futebol onde deram um jeito de colocar o Corinthians, o Palmeiras e o São Paulo em um quadrangular todos contra o Ituano.
            O glorioso Ituano passou, nas semi, pelo Corinthians mas, nas finais, não conseguiu ganhar do majestoso tricolor. O São Paulo pode ser o supercampeão paulista de 2002, mas o real campeão paulista é o Ituano, sem dúvida.
            Em resposta a toda a pressão que o Ituano sofreu por conta desses detalhes envolvendo justamente aquele campeonato, o Thio junto com outros fanáticos torcedores resolveram fundar o AEI. Era preciso resistir às chacotas (injustas e desnecessárias) a que os ituanos estavam sendo diariamente submetidos.
            O AEI foi bem atuante em seus tempos iniciais e alguns anos se passaram até que o Ituano conseguisse o seu bicampeonato. Quem for buscar nos jornais da época, é bem capaz de encontrar uma famosa foto que rodou o mundo onde aparece o Thio erguendo uma faixa escrita “RUMO AO BI”. Não há, porém, registro do Thio segurando uma outra faixa com os dizeres “RUMO A TÓQUIO” que foi pouco usada, até os mais entusiastas acharam que o Thio estava exagerando...
            Com o tempo, a euforia inicial com o AEI foi se esvaindo e, não poucas vezes, o Thio se viu sozinho defendendo a história do galo rubro-negro. Mas aí... aí 2014 chegou, o bi chegou... Na primeira fase do campeonato daquele ano, deixando um tal de Corinthians para trás, o Ituano se classificou para as quartas de finais, passou pelo Botafogo, e depois pelo Palmeiras chegando à final contra o Santos.
            Lembro-me bem daqueles dias e das preocupações do Thio. Desde que saiu o emparelhamento para a fase final, ele vislumbrou uma final entre o Ituano e o Santos. Justo o Santos, time que tanto o Thio ajudou nos finais da década de 50. Conta a lenda que o Thio fora chamado para ensinar um garoto em início de carreira a cabecear (tempos depois, ao vê-lo marcar um gol de cabeça em uma final de copa do mundo, o Thio não conseguiu esconder de nós o seu sorriso de satisfação, mas isso é certamente uma outra estória).
            Por conta de seu passado junto ao time da cidade praiana, o que o Thio menos queria era uma final Santos-Ituano e ainda mais se ela fosse na Vila Belmiro. Ele nos confessou tempos depois que usou de toda a sua imensa influência junto à Federação Paulista de Futebol para que a Vila não fosse escolhida como sede do jogo final.
            - Sei que foi egoísmo meu... sei sim... pecadinhos como esses todos temos... mas não aguentaria torcer pelo Ituano na Vila...
            Seus eternos (e invejosos) inimigos irão dizer que ele não teve influência alguma na escolha do Pacaembú como sede dos dois jogos da final, que isso é tudo invenção. Mas deixa que digam, que pensem, que falem... (só para citar um famoso verso escrito pelo Thio e cedido ao Alberto Paz).
            O primeiro jogo o Santos ganhou, mas o segundo não, vitória do Ituano pelo mesmo placar. Disputa de pênalti, o coração do Thio disparou. Foram precisos 16 cobranças para que a justiça se desse e o título de campeão fosse ao grande merecedor, o Ituano.
            Quem reparar no vídeo de premiação ao final da épica partida verá que os jogadores estão à procura do Thio Therezo para referenciá-lo como o torcedor maior do Ituano. Todos eles sabiam de sua importância para o sucesso do time. Mas, humilde que sempre foi, o Thio já tinha saído de mansinho do estádio e estava a caminho de casa.
            Feliz e satisfeito... e já pensando no tricampeonato.
            Nem é preciso dizer que, após esse segundo título, o AEI voltou a crescer. Antigos membros-fundadores voltaram à ativa, outros que ninguém sabia que torciam pelo Ituano apareceram do nada. Não demorou muito, foram isolando o Thio do AEI (inveja? busca de protagonismo? vai saber...) e, por fim, desgostoso com as traições e com o desrespeito, ele pediu para sair oficialmente do AEI.
            Mas isso é outra estória, de como o AEI se tornou o AEIOU...

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Não sou imparcial, sou Ituano!


            Se quer imparcialidade, não discuta futebol!!!
            Isso era o que sempre dizia o Thio Therezo quando vinham com polêmicas tais como “foipenalti-nãofoi-masoutrodiavocêachouumlanceparecido-masessenãofoi-naquelelance-foidiferente-claroquefoifoicomoseutime-juizladrão”. Sim, nada mais fla-flu que uma discussão entre torcedores de times adversários.
            - Não há jeito, não sou imparcial, sou Ituano!!! - o Thio dizia nessas horas de grande polêmica, antes de se levantar, mão no peito, e cantar:
Olê olá, pode o mundo se acabar
Olê olê, vamos sempre com você
Não há ninguém como tu
Ah, galo rubro-negro de Itu!
para um estupefato e impressionado bar. Ao final do glorioso hino do Ituano, cantado com toda a emoção a que lhe é de direito, o bar chegava ao seu improvável silêncio profundo, happy hour de sexta-feira, em admiração a tão original letra! (ninguém ousaria dizer nada sobre a belíssima voz do Thio, cantor diletante de óperas e chorinhos, pois em questões envolvendo assuntos futebolísticos, ninguém quer dar ponto aos adversários).
            - Não sou imparcial, sou Ituano!!! – concluía o Thio relembrando o grito de guerra de seu time predileto e dando o sinal para que a balbúrdia retornasse ao ambiente depois dessa singela pausa esportivo-cultural.
            Desde que nos conhecemos por gente, sabemos do fanatismo do Thio Therezo pelo Ituano, ele que acompanhou muito de perto todas as conquistas de campeonato paulista de seu time. Todas elas, todas as duas!
            Sem fugirmos muito ao tema, cabe lembrar a polêmica em que o Thio se meteu um dia com aquele famoso jornalista esportivo que chamou o exuberante Campeonato Paulista de paulistinha e, no meio da discussão, o Ituano de time pequeno e provinciano. Após uma troca de artigos entre um ofendido Thio e o tal jornalista em um grande jornal da imprensa paulista, esse segundo veio com a tal teoria da imparcialidade a que aparentemente todos deveriam carneirosamente seguir, ao que o Thio respondeu com a famosa frase:
            - Quem quer imparcialidade, que não discuta futebol...
            Nem religião... pensou em acrescentar.
            Nem política... evitou esse complemento, que fiquemos no âmbito esportivo!
            A polêmica se deu por conta do primeiro título de campeão paulista ganho pelo Ituano em 2002, aquele ano em que os tais principais clubes (quem é que define isso, afinal?) disputaram um torneio em paralelo. Nada, nem o reconhecimento oficial pela FPF de que o título foi merecidamente ganho pelo Ituano reduziu a sanha daqueles que queriam desqualificar o campeonato e o merecido título do glorioso galo rubro-negro de Itu! Injustiça!!!!
            Não por menos, o Thio Therezo reuniu os torcedores mais fanáticos de seu time e fundou o AEI, os tais Amigos Entusiastas do Ituano. Como lema, a frase que depois se tornaria o grito de guerra do time: Não sou imparcial, sou Ituano! e, como meta, difundir os valores, originários e agregados, sociais, culturais e esportivos da grandiosa comunidade ituana. Como membro-fundador e presidente, o Thio Therezo muito trabalhou para que aquele primeiro título de campeão paulista não caísse no esquecimento ou fosse desqualificado. Nem é preciso dizer que ele se meteu em muita polêmica político-esportiva por conta disso. Otimista que sempre foi, o Thio acreditava, ainda acredita mesmo com todas as experiências em contrário, que uma boa argumentação lógica prevaleceria ao final de qualquer embate. Haja otimismo! Mas isso são outras questões.
            Em 2014, o Ituano ganhou o seu segundo título de campeão paulista, em jogo memorável no Pacaembú, e foi finalmente aceito como um dos grandes times do Estado de São Paulo, no sólido grupo G5-SP (ao menos os vereadores de Itu assim entenderam...). São tantas estórias que, havendo tempo, as relembraremos todas aqui.